O que é psicose
Psicose é um estado em que a percepção da realidade fica alterada. A pessoa pode ouvir vozes ou ver coisas que os outros não percebem (alucinações), ter certezas que não correspondem aos fatos, como a de estar sendo perseguida (delírios), ou apresentar um pensamento e uma fala desorganizados.
A psicose pode aparecer em diferentes condições: esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo, transtorno delirante, episódios psicóticos breves, fases graves de transtorno bipolar ou de depressão, uso de substâncias e algumas doenças clínicas. Identificar a causa é essencial para o tratamento.
Sinais de alerta
- isolamento progressivo e perda de interesse por amigos e atividades;
- queda no desempenho nos estudos ou no trabalho;
- desconfiança excessiva, sensação de ser vigiado ou perseguido;
- falar ou rir sozinho, como se respondesse a alguém;
- ideias estranhas ou fala difícil de acompanhar;
- mudanças importantes no sono e descuido com a higiene;
- irritabilidade ou agitação sem motivo aparente.
Os primeiros sinais costumam aparecer no fim da adolescência ou no início da vida adulta, muitas vezes de forma gradual. Como a própria pessoa nem sempre percebe que algo mudou, a família costuma ser quem nota primeiro e quem faz o primeiro contato.
Por que buscar ajuda cedo
Quanto mais tempo a psicose fica sem tratamento, maior tende a ser o impacto na vida da pessoa. Começar o cuidado cedo ajuda a controlar os sintomas, a preservar os vínculos e a manter os projetos de vida.
Como faço a avaliação
A avaliação inclui uma conversa cuidadosa com a pessoa e, sempre que possível, com familiares, para entender como os sintomas começaram e evoluíram. Investigo o uso de álcool e drogas, já que o uso frequente de maconha, por exemplo, aumenta o risco de psicose em pessoas predispostas.
Peço exames para descartar causas clínicas e, quando indicado, exames de imagem. Também avalio com atenção os riscos envolvidos, para decidir o local de cuidado mais seguro.
Em uma crise
Se houver agitação intensa, risco para a própria pessoa ou para outros, ou recusa em se alimentar, procure um serviço de urgência ou ligue para o SAMU (192). Em alguns momentos, uma internação breve é o caminho mais seguro.
Como é o tratamento
- Antipsicóticos: são a base do tratamento. A escolha considera a resposta e os efeitos colaterais, como ganho de peso, sonolência e alterações metabólicas, que acompanho com exames periódicos.
- Formas injetáveis de ação prolongada: podem ser uma opção para quem tem dificuldade de manter o uso diário dos comprimidos.
- Casos resistentes: quando as primeiras opções não funcionam, existem alternativas, como a clozapina, que exige exames de sangue regulares.
- Psicoterapia e reabilitação: ajudam a lidar com os sintomas, a retomar a rotina e a desenvolver habilidades para o dia a dia.
- Evitar álcool e drogas, que pioram os sintomas e aumentam o risco de recaída.
Na maioria dos casos, o tratamento é mantido por longo prazo. Interromper os remédios por conta própria é uma das causas mais comuns de recaída, por isso qualquer mudança é planejada em conjunto.
O papel da família
A família é parte importante do cuidado. Entender o transtorno ajuda a evitar confrontos sobre os delírios, a reconhecer cedo os sinais de uma possível recaída e a apoiar a adesão ao tratamento. Cuidar de quem cuida também importa: o desgaste dos familiares é real e merece atenção.
Com a autorização do paciente, reservo espaço nas consultas para orientar os familiares e tirar as dúvidas deles.
Vivendo com um transtorno psicótico
Com acompanhamento regular, muitas pessoas passam longos períodos sem crises, mantêm os estudos ou o trabalho e constroem relações estáveis. Parte desse caminho é conhecer os próprios sinais de alerta, como dormir mal, ficar mais desconfiado ou se isolar, e combinar com antecedência o que fazer quando eles aparecerem.
Cuidar da saúde física também faz parte do tratamento: atividade física, alimentação, sono e o acompanhamento de peso, glicose e colesterol ajudam a reduzir os efeitos colaterais e a proteger a saúde a longo prazo.
Conteúdo informativo, escrito e revisado por Dr. André Garcia Fernandes Dantas (CRM-RN 8418 · RQE 4587) em 16/09/2026. Não substitui avaliação médica individual.
Perguntas frequentes
Esquizofrenia é dupla personalidade?
Não. A esquizofrenia envolve alterações da percepção e do pensamento, como alucinações e delírios, e não a existência de personalidades diferentes.
Pessoas com esquizofrenia são perigosas?
A grande maioria não é violenta e, com mais frequência, é vítima de violência e preconceito. O tratamento regular reduz os riscos associados às crises.
O tratamento é para sempre?
Na maioria dos casos, o tratamento é mantido por longo prazo, porque reduz as recaídas. As doses e os remédios são revistos ao longo do acompanhamento, sempre em conjunto.
Maconha pode causar psicose?
O uso de maconha, principalmente frequente e de alta potência, aumenta o risco de psicose em pessoas predispostas e pode piorar os sintomas de quem já tem o transtorno.
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